Yale Model United Nations Brasil · 14–16 ago 2026
CND
Comissão de Entorpecentes
Guia de preparação do delegado · Chair: Aaron Ma
Commission on Narcotic Drugs — órgão do ECOSOC
O comitê
O que é a CND?
A Comissão de Entorpecentes é o foro global da ONU sobre drogas — uma comissão funcional do ECOSOC, criada em 1946. Desde 1991 é o órgão diretor do UNODC (Escritório da ONU sobre Drogas e Crime).
- Supervisiona os tratados internacionais de controle de drogas e orienta políticas de prevenção e tratamento.
- Classifica novas substâncias (opioides sintéticos e canabinoides entraram em controle em março de 2026).
- 53 Estados-membros eleitos pelo ECOSOC · um voto cada · maioria simples.
- Papel supervisório: recomenda e coordena, mas não fiscaliza nem pune o descumprimento.
Trabalha junto com a OMS (saúde) e o INCB — a Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes.
Agenda
Os dois tópicos do comitê
Tópico 1
Ampliar a cooperação global contra o tráfico transnacional de drogas.
Como os Estados cooperam quando o crime atravessa fronteiras — inteligência, portos, precursores químicos, justiça.
Tópico 2
Transicionar economias rurais para longe do cultivo ilícito.
A raiz socioeconômica: coca e papoula como renda de comunidades pobres — e como oferecer alternativas viáveis.
Chave do comitê: na CND as posições dos blocos são menos rígidas — nações adversárias em outros temas acham terreno comum aqui.
Vocabulário essencial
Termos que você precisa dominar
- Desenvolvimento Alternativo — política que ataca as causas socioeconômicas do cultivo ilícito com renda rural legal.
- Cultivo ilícito — plantio de coca/papoula, concentrado em áreas isoladas e sem mercado.
- Hawala — sistema informal de transferência de dinheiro baseado em confiança, fora dos bancos.
- MLA — Assistência Jurídica Mútua entre Estados para coletar provas e sustentar processos.
- NPS — Novas Substâncias Psicoativas: ainda fora de controle internacional quando surgem.
- Precursores — químicos usados para fabricar drogas, não ilegais em si.
- Sequenciamento — princípio de que meios de vida legais devem vir antes da repressão.
- Extradição — entrega de acusado/condenado de um Estado a outro para processo ou pena.
Tópico 1
Cooperação global contra o tráfico transnacional de drogas
Crime organizado que conecta produção, transporte e distribuição através de fronteiras — cada vez mais globalizado.
Tópico 1 · O problema
Por que nenhum país resolve sozinho
- A globalização criou cadeias transfronteiriças: precursores no país A, processamento no país B, venda no país C.
- Cada etapa explora leis, fiscalização e infraestrutura existentes — mas cada etapa é também um ponto de intervenção.
- Cada Estado regula à sua maneira (precursores, fronteiras, penas), e as redes exploram justamente as brechas entre eles.
- Só cooperação resolve: compartilhamento de inteligência, padrões comuns de portos e alfândegas, cooperação judicial.
A pergunta central: o que deve ser feito agora, em 2026, para conter o fluxo de drogas de país a país?
Tópico 1 · Linha do tempo
Um século de tratados e adaptação criminosa
- 1912 — Convenção do Ópio de Haia: restringe narcóticos a fins médicos e científicos.
- 1961 — Convenção Única sobre Entorpecentes: unifica o sistema e cria o INCB.
- 1971 — Convenção sobre Substâncias Psicotrópicas amplia o controle.
- 1988 — Convenção contra o Tráfico Ilícito: extradição, MLA, apreensão de ativos e precursores.
- Anos 70–80 — Cartel de Medellín (Pablo Escobar); depois Sinaloa, CJNG, ’Ndrangheta, PCC.
- 1997 — Criação do UNODC.
- 2009 / 2016 — Declarações que unem controle a redução da pobreza e direitos humanos.
- 2030 — Agenda de Desenvolvimento liga a política de drogas à redução de desigualdade.
Tópico 1 · Situação atual
As ferramentas de cooperação hoje
- UNODC Drugs Monitoring Platform e o I-24/7 da INTERPOL — dados sobre rotas e redes compartilhados em tempo real por 196 países.
- INCB monitora precursores (Notificação Pré-Exportação Online, PICS, GRIDS) — já desviou remessas de precursores de fentanil.
- Mas as dinâmicas variam muito por região — não há solução única.
196
países conectados ao I-24/7 da INTERPOL
53
Estados-membros votantes na CND
Tópico 1 · Panorama regional
Américas: consumo e produção
América do Norte
- Maior mercado consumidor: opioides, cocaína, metanfetamina.
- Cartéis Sinaloa e CJNG dominam as rotas; crise do fentanil.
- EUA designam os cartéis como organizações terroristas; OFAC sanciona lavagem e empresas de fachada.
- Tensões EUA–México às vezes minam a cooperação.
América do Sul
- Colômbia, Peru, Bolívia: polo mundial de produção de cocaína.
- Rotas sobem pela América Central ou cruzam o Atlântico rumo à Europa.
- Projeto CRIMJUST (UE, INTERPOL, UNODC): investigação conjunta e inteligência.
- Operação Lionfish III: 357 presos, +52 toneladas apreendidas em 13 países.
Tópico 1 · Panorama regional
Europa, Ásia, África e Oceania
- Europa — mercado de destino; ’Ndrangheta; portos da Bélgica e Holanda. MAOC-N apreendeu +1.800 t (2019–24).
- Ásia — Triângulo Dourado (Myanmar, Laos, Tailândia): recorde de 236 t de metanfetamina apreendidas em 2024. China é fonte de precursores. Cooperação via MOU do Mekong.
- África — trânsito de cocaína para a Europa; fronteiras frágeis. Iniciativa da Costa da África Ocidental (WACI, 2009).
- Oceania — isolamento geográfico; preços altos atraem o crime. OCO + Força de Fronteira australiana monitoram rotas marítimas.
Tópico 1 · Tendências & debate
Para onde o crime evolui
Tendências
- Exploração da infraestrutura de comércio legal (portos).
- Submarinos de contrabando, comunicação criptografada, criptomoedas e hawala.
- Atraso entre inovação da droga e sua regulação.
Questões a considerar
- Que formas de compartilhar inteligência são viáveis frente a soberania e leis distintas?
- Como monitorar precursores sem barrar a indústria legal?
- Como repartir o custo entre produtores, exportadores e consumidores?
- Como evitar que a repressão seja "armada" politicamente entre rivais?
Tópico 2
Transicionar economias rurais para longe do cultivo ilícito
A base que alimenta todo o tráfico global começa numa escolha econômica de comunidades pobres.
Tópico 2 · O problema
Cultivo ilícito é, na raiz, pobreza
- Em muitas regiões rurais faltam infraestrutura, crédito e mercados agrícolas legais.
- A economia ilícita oferece renda imediata e confiável — e vira a base que abastece o tráfico mundial.
- Logo, é ao mesmo tempo um problema criminal e socioeconômico: atacar a raiz reduziria drasticamente o tráfico.
- O desafio do delegado: desenhar estratégias que reduzam a produção E construam economias rurais robustas.
Tópico 2 · A escala
Tendências recentes
376 mil
hectares de coca no mundo em 2023 (Colômbia: 253 mil)
+17%
de papoula em Myanmar → 53.100 ha (2025)
−95%
de cultivo no Afeganistão após a proibição do Talibã (2022)
O caso do Afeganistão mostra o dilema central: o banimento cortou a oferta global de ópio, mas devastou meios de vida rurais — insegurança alimentar e pobreza mais profunda. Repressão sem alternativa gera dano maior no longo prazo.
Tópico 2 · Linha do tempo
De cultura milenar a mercadoria ilícita
- Papoula cultivada na Mesopotâmia desde ~3.400 a.C.; folha de coca com uso ritual nos Andes — por milênios, não eram ilícitas.
- Séculos XVIII–XIX: o Império Britânico industrializa o ópio na Índia e o exporta para a China.
- 1961 — a Convenção Única consolida a proibição global.
- 1998 — Sessão Especial da ONU adota o Desenvolvimento Alternativo como estratégia-chave.
- 2013 — Princípios Orientadores: participação comunitária, acesso à terra, integração ao mercado e sequenciamento.
Tópico 2 · Situação atual
O que os países estão tentando
- Colômbia — fumigação com glifosato (até 2015) gerou dano ambiental; o PNIS (2017) inscreveu +99 mil famílias para substituir voluntariamente a coca.
- Bolívia — "controle social": permite cultivo limitado para uso tradicional, com os cocaleros como parceiros na regulação.
- Tailândia — o Royal Project é o caso de sucesso: transição para café e macadâmia com investimento de longo prazo.
- Myanmar — o golpe de 2021 fez a papoula ressurgir. África Ocidental — sem crédito e estradas, o cultivo ilícito segue mais atrativo.
Tópico 2 · Tendências & debate
Lições e perguntas em aberto
Tendências
- Programas que funcionam têm compromisso de longo prazo e participação da comunidade; os que falham impõem bans de cima para baixo.
- Efeito-deslocamento: reduzir num país empurra o cultivo para o vizinho.
- Mudança climática altera onde cada cultivo é viável.
Questões a considerar
- Que riscos surgem se o desenvolvimento alternativo falha ou não é financiado?
- Que indicadores, além de hectares, medem sucesso?
- Como a cooperação internacional evita o deslocamento entre países?
- Como integrar sustentabilidade ambiental à transição de cultivos?
Negociação
Posições dos blocos
Na CND os blocos são fluidos — um mesmo país pode transitar entre eles conforme o tópico. Quatro lógicas para orientar sua pesquisa:
- Repressão em primeiro lugar — leis duras e punição como ferramenta principal; resultados rápidos, custo humanitário.
- Orientados ao desenvolvimento — atacam as causas de raiz; defendem desenvolvimento alternativo e redução de danos.
- Produtores e de trânsito — arcam com custo desproporcional; pedem responsabilidade compartilhada no financiamento.
- Mercados consumidores — priorizam segurança de fronteiras, inteligência financeira e tratamento da dependência.
Sua entrega
Como montar seu position paper
Para cada um dos dois tópicos, três seções:
- Ações internacionais (passado/presente) — o histórico do tema no sistema ONU e os tratados que importam.
- Posição do país — o que a sua delegação defende, ancorada nos interesses reais do seu Estado.
- Soluções propostas — iniciativas concretas, com nome próprio, que você levaria à mesa.
Cabeçalho com Comitê · Delegação · Cargo, linguagem diplomática. Você escreve e entrega o seu direto na aba Delegação da plataforma.
CND · YMUN Brasil 2026
Nenhum país
resolve sozinho.
Países que parecem opostos na superfície encontram terreno comum diante de uma das questões mais urgentes do mundo. Prepare o seu país — e leve soluções à mesa.
Material de preparação · onu.aluizio.education